Formado em 1993 na cidade de Bakersfield, Califórnia, o Korn se tornou uma das bandas mais influentes da história do nu metal. Misturando guitarras pesadas, elementos do hip hop e letras carregadas de emoção, o grupo revolucionou o metal dos anos 90 e abriu caminho para uma nova geração de bandas. Liderado por Jonathan Davis, o Korn alcançou sucesso mundial com álbuns como Follow the Leader e Issues, além de clássicos como “Blind”, “Freak on a Leash” e “Falling Away From Me”, consolidando seu nome como um dos maiores do metal contemporâneo.
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Sua história com o Brasil começou em 2002, com a primeira apresentação realizada em São Paulo, em um show que ficou marcado na memória dos fãs brasileiros e criou uma conexão imediata entre a banda e o público do país. Desde então, o Korn retornou diversas vezes ao Brasil, passando por turnês em 2008, 2010 e 2013, além da estreia no Rock in Rio em 2015. Sua última passagem havia acontecido em 2017, durante a turnê de The Serenity of Suffering, contando com Tye Trujillo, filho de Robert Trujillo, no baixo. Na época, o músico tinha apenas 12 anos e chamou atenção do público pela responsabilidade de assumir temporariamente o posto de Fieldy.
Agora, em 2026, após quase nove anos longe dos palcos brasileiros, o Korn retornou para um aguardado show no Allianz Parque, em São Paulo, esgotando ingressos e trazendo participações de Black Pantera, Spiritbox e Seven Hours After Violet, reforçando mais uma vez a forte ligação entre a banda e os fãs brasileiros.
Foi uma apresentação épica, caótica e memorável, carregada de nostalgia e muita chuva. O show começou com uma enorme cortina preta caindo enquanto Jonathan Davis gritava “Are You Ready?”, seguido pelos riffs pesados de “Blind”, clássico absoluto da banda, tomando conta do Allianz Parque. Como já virou costume em grandes apresentações de metal na América Latina, alguns sinalizadores surgiram no meio da multidão, misturados à empolgação do público e ao eterno debate sobre o excesso de celulares nos shows.
Mas nada parecia atrapalhar o momento. A cada música executada e a cada interação de Jonathan Davis com o público, a plateia entrava ainda mais em catarse, respondendo com coros gigantescos, gritos, emoção e moshes intermináveis que se encontravam e se transformavam em rodas ainda maiores. E enquanto tudo isso acontecia, a chuva não dava trégua em nenhum momento. Ainda assim, ninguém parecia se importar. Pelo contrário: a tempestade acabou adicionando ainda mais emoção ao espetáculo, transformando o show em algo quase cinematográfico.

O repertório também trouxe “Reward the Scars”, música criada para a expansão de “Diablo IV” e responsável por encerrar o hiato de materiais inéditos da banda. Diferente da última passagem pelo Brasil, que sofreu críticas por problemas técnicos no som, dessa vez o Korn apareceu extremamente bem preparado, entregando uma sonoridade limpa, pesada e muito bem ajustada.
Jonathan Davis estava visivelmente confortável no palco, mesmo sob a chuva incessante, e parecia bastante impressionado com a entrega do público brasileiro. Em um dos momentos mais espontâneos da noite, declarou: “Nunca iremos nos esquecer de vocês”, arrancando uma reação acalorada da plateia. Curiosamente, a chuva cessou justamente no encerramento do show, como se acompanhasse o fim daquela atmosfera intensa que tomou conta do estádio durante toda a apresentação.
O show no Allianz Parque marcou o encerramento de uma sequência de seis apresentações da banda pela América do Sul antes de seguir para o México. E, depois de tantos anos de espera, o público brasileiro finalmente pôde reencontrar uma das maiores referências da história do nu metal em uma apresentação sufocante, intensa e inesquecível. Mais de 30 anos depois de sua formação, o Korn continua mostrando que ainda possui o mesmo peso, a mesma energia e a mesma capacidade de transformar um show em uma experiência impossível de esquecer.










