O nome DEVILOOF já circulava entre fãs brasileiros de metal extremo há alguns anos e, sinceramente, eu não conhecia a banda. Fui descobrir após a divulgação das atrações do Porão do Rock e fiquei curioso para ouvir seus trabalhos. Diferente de bandas mais tradicionais do movimento, o grupo de Osaka chama atenção justamente por parecer deslocado dentro da própria cena. Enquanto muitos apostam em melodias mais acessíveis e estética teatral, eles mergulham em algo muito mais agressivo, misturando deathcore, brutal death metal, grindcore e uma atmosfera sufocante.
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Formada em 2015, a banda surgiu praticamente como um choque dentro do underground japonês. O primeiro impacto veio através do clipe de “Ruin”, lançado logo no início de sua trajetória. A música já mostrava a identidade do grupo: guturais extremamente graves, riffs violentos, bateria caótica e uma estética sombria que parece transformar o Visual Kei em algo ainda mais perturbador. Com isso, o grupo ganhou espaço fora do Japão e, para mim, foi uma das maiores descobertas do ano até agora.
O nome da banda também carrega uma proposta obscura. Inspirado na expressão “Devil’s Proof”, o DEVILOOF nasceu com a intenção de transmitir mistério, escuridão e algo além da compreensão comum. Essa identidade acabou se tornando parte essencial do grupo, tanto nas letras quanto na presença visual dos integrantes.
Musicalmente, o DEVILOOF não traz conforto. Ouvindo seus trabalhos, é perceptível a influência do deathcore moderno, metal extremo europeu e bandas japonesas mais experimentais, criando uma sonoridade técnica, pesada e extremamente intensa.
Entre seus trabalhos mais densos e violentos estão “Oni”, carregado de referências sombrias e elementos da cultura japonesa, e “DYSTOPIA”, álbum que levou a banda para outro nível dentro da cena extrema moderna. Faixas como “Newspeak”, “Damnation”, “Mob Rule” e “Gouzinzangoku” mostram ainda mais a intensidade e evolução do grupo.
Mesmo sendo extremamente brutal, o DEVILOOF também chama atenção pela capacidade de criar atmosferas quase cinematográficas. O grupo mistura caos e teatralidade de uma forma que lembra um verdadeiro pesadelo audiovisual. Talvez seja justamente isso que tenha feito a banda crescer tão rapidamente fora do Japão.
Depois de muito tempo, a banda finalmente fez sua primeira passagem pelo Brasil em 2026, através da “Inherited Blasphemy Tour”. Com sua estreia no Porão do Rock, em Brasília, um dos festivais mais tradicionais do rock independente nacional, o DEVILOOF chamou atenção por ser uma banda japonesa de metal extremo dividindo espaço com grandes nomes do rock pesado brasileiro e internacional. É muito satisfatório conhecer trabalhos da cena underground de outros países e ainda mais gratificante ver que estão ganhando destaque na cena mundial.
A apresentação em Brasília aconteceu no estacionamento da Arena BRB Mané Garrincha e considero esse momento algo histórico para o underground nacional. O público mostrou como o DEVILOOF conseguiu atravessar diferentes nichos sem perder sua identidade brutal. A banda possui uma ótima presença de palco e a resposta do público veio através de grandes moshes e muita intensidade durante o show.
Após a passagem por Brasília, a banda também realizará uma apresentação em São Paulo, no dia 24 de maio, na casa La Iglesia, em Pinheiros. Diferente do clima de festival, o show solo promete uma experiência ainda mais intensa e próxima do público. Para muitos fãs, será a primeira oportunidade de finalmente presenciar ao vivo músicas que durante anos existiram apenas através de vídeos na internet.
A passagem do DEVILOOF pelo Brasil representa muito mais do que apenas dois shows. Ela mostrou que existe espaço para bandas estrangeiras extremamente pesadas dentro da cena nacional e reforçou como o underground brasileiro continua aberto para experiências diferentes, intensas e fora do padrão tradicional.
O DEVILOOF não chegou ao Brasil apenas como mais uma banda internacional. O grupo desembarcou carregando uma aura quase caótica, transformando sua estreia no país em um dos momentos mais interessantes da cena extrema recente. E para quem acompanha a cena, a sensação foi clara: o metal japonês extremo finalmente encontrou seu espaço dentro do underground brasileiro.









