Há bandas que nascem tentando parecer importantes, com tudo calculado: identidade visual pronta, discurso alinhado e músicas feitas quase como produto, quase como um pacote de biscoito sabor edição limitada que vinha com adesivo de brinde. A Holiday Nice sempre pareceu existir no extremo oposto, e justamente por isso a banda envelheceu melhor do que muita coisa da cena underground dos anos 2000.
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Formada em Itu, interior de São Paulo, a Holiday Nice carrega aquela estética que hoje quase virou memória de uma geração específica do underground brasileiro: shows pequenos, divulgação no MySpace, gravação crua e bandas que pareciam mais preocupadas em tocar do que em construir personagem.
A banda funciona exatamente porque transmite a sensação de caos sem filtro. As músicas soam aceleradas, barulhentas, emocionalmente exageradas e até meio irresponsáveis às vezes, como se tivessem sido feitas no impulso. Mas existe uma sinceridade muito forte nisso tudo.
O Holiday Nice mistura hardcore melódico, punk rock e aquela energia debochada do underground paulista que não tinha medo de soar estranho, feio ou bagunçado. Em alguns momentos parece pop punk descontrolado. Em outros, parece hardcore tocado por gente que simplesmente queria destruir um palco pequeno numa sexta-feira qualquer.
Os títulos lançados ao longo da carreira parecem piada interna de internet antiga, coisa de fórum underground dos anos 2000. “Tenebreixon Naite” é uma delas: soa como uma piada nonsense jogada ao acaso, mas acabou virando quase uma assinatura estética da banda. Existe algo muito específico nessa forma de humor. Uma geração inteira de bandas underground brasileiras usava ironia, exagero e idiotice proposital como parte da própria identidade. E talvez seja justamente isso que faz a banda soar tão verdadeira.
Holiday Nice não passa a sensação de estar tentando ser engraçada para ganhar atenção. Parece mais um grupo de amigos registrando exatamente o jeito como viviam aquela cena, e isso aparece principalmente em seus vídeos mais antigos. As apresentações têm aquela atmosfera típica do hardcore underground brasileiro: aquele caos estranho, confuso e ao mesmo tempo confortável.
Mesmo hoje, com a banda ainda ativa e divulgando material novo como “Língua de Ladeira”, a impressão continua parecida: o Holiday Nice não soa como nostalgia fabricada. Eles ainda carregam aquela sujeira emocional do underground antigo, sem tentar modernizar demais a própria essência.









