O Porão do Rock 2026 teve muitos momentos marcantes, e um deles veio carregado da energia explosiva que o Pennywise trouxe para o festival. A banda californiana subiu ao palco cercada de expectativa e entregou exatamente aquilo que os fãs esperavam: velocidade, caos, clássicos e uma conexão absurda com o público brasileiro. E algo que me surpreendeu foi perceber como a banda ainda faz sucesso entre os mais jovens, que cantavam em coro e abriam moshes praticamente em todas as músicas.
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Desde os primeiros minutos do show, já era possível perceber que aquela não seria apenas mais uma apresentação internacional em festival. O clima era de celebração para aqueles que cresceram ouvindo a banda durante décadas. E o público respondeu da maneira mais intensa possível: rodas punk, coro coletivo e um ambiente praticamente tomado pela energia do hardcore californiano.
Formado em 1988, em Hermosa Beach, Califórnia, o Pennywise ajudou a moldar toda uma geração do skate punk e do hardcore melódico mundial. Ao lado de bandas como Bad Religion e NOFX, o grupo construiu uma identidade baseada em músicas rápidas, refrões fortes e letras que sempre carregaram revolta, resistência e união. Mas existe algo no Pennywise que vai além da nostalgia: a banda continua funcionando ao vivo como uma máquina de energia bruta, conduzindo o público de forma magistral e criando grandes interações entre uma música e outra.
E foi exatamente isso que aconteceu no Porão do Rock.
Jim Lindberg parecia extremamente confortável no palco, comandando o público como alguém que entende perfeitamente a força que o Pennywise ainda possui dentro da cena underground. Fletcher Dragge, com sua postura clássica e agressiva na guitarra, ajudou a manter o show em um nível de intensidade quase constante do início ao fim.
Quando “Bro Hymn” começou, o festival inteiro pareceu virar uma única voz. Talvez tenha sido o momento mais forte da apresentação. Não apenas pela música em si, mas pelo significado que ela carrega dentro da cultura punk. Era impossível olhar para a pista e não perceber pessoas se abraçando, pulando e cantando cada palavra como se aquele momento tivesse esperado anos para acontecer.
O mais interessante é que o Pennywise encaixou perfeitamente na essência do Porão do Rock. O festival sempre teve uma alma muito ligada ao underground, à resistência e à valorização de cenas alternativas. Então ver uma banda desse tamanho ocupando aquele espaço acabou parecendo extremamente natural.
Além dos clássicos, o grupo também mostrou que ainda mantém peso e presença suficientes para conquistar até quem talvez conhecesse apenas algumas músicas. Um show que não foi feito apenas para seus fãs de longa data. Era uma demonstração clara de como o punk hardcore ainda continua vivo quando existe verdade em cima do palco, e uma grande resposta para quem insiste em dizer que o rock está morto.
A passagem da banda por Brasília também reforça algo que o público brasileiro prova há anos: o Brasil continua sendo um dos lugares mais intensos do mundo para bandas desse estilo se apresentarem. E o Pennywise claramente percebeu isso durante toda a noite.
No fim, o sentimento que ficou foi simples: o Porão do Rock conseguiu transformar a apresentação do Pennywise em um daqueles shows que permanecem vivos na memória de quem esteve ali.









