No dia 6 de junho de 1994, há 32 anos, o Stone Temple Pilots lançava “Purple”, seu segundo álbum. O lançamento aconteceu dois anos depois do sucesso de “Core”, e rapidamente ficou claro que a banda não iria sumir após um único hit. O disco estreou em primeiro lugar na Billboard 200 e vendeu milhões de cópias mundo afora, números que transformaram o quarteto em um dos nomes mais relevantes do rock da década de 1990. Na época, muitos críticos ainda desconfiavam do grupo, rotulando-o como imitador do som de Seattle, mas o público respondeu de forma esmagadoramente positiva.
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Musicalmente, o lançamento de “Purple” mostrou uma banda mais solta e disposta a arriscar. Enquanto o disco de estreia ainda carregava as marcas pesadas do grunge, aqui os irmãos Dean e Robert DeLeo incorporaram alguns elementos mais voltados ao psicodélico, blues, country e até mesmo bossa nova, como se ouve claramente em “Interstate Love Song”. O resultado foi um álbum que não se deixava aprisionar por um único rótulo. A produção de Brendan O’Brien, mais limpa e detalhada que a de “Core”, ajudou a dar espaço para as diferentes facetas da banda, das guitarras distorcidas de “Vasoline” e “Unglued” às baladas acústicas como “Pretty Penny” e o clima sombrio e arrastado de “Big Empty”, que já havia aparecido antes na trilha do filme “O Corvo”.
As letras, escritas em boa parte por Scott Weiland, também se tornaram mais pessoais e menos genéricas. O vocalista já enfrentava problemas com heroína, e isso transparece em faixas como “Vasoline”, descrita por ele mesmo como a sensação de ser um inseto vigiado sob uma lupa, além da óbvia referência à droga. Já o encerramento do disco, “Kitchenware & Candybars”, trazia uma letra densa que só anos depois o público descobriu ser sobre a experiência do casal com um aborto. Não é um álbum feliz, mas também não é um mergulho gratuito na autocomiseração.
O legado de “Purple” é curioso. Na época do lançamento, a recepção crítica foi mista, muitos ainda achavam a banda derivativa demais. Com o passar do tempo, o disco passou a ser visto como um clássico do rock alternativo dos anos 1990, e hoje é o segundo trabalho mais vendido do Stone Temple Pilots, atrás apenas de “Core”. Indo além dos números, o que o álbum provou foi que a banda tinha personalidade suficiente para não depender de modismos passageiros. 32 anos depois, faixas como “Interstate Love Song” e “Vasoline” continuam sendo presença garantida em playlists de rock de rádio, não por nostalgia, mas porque foram escritas com uma precisão melódica que poucos grupos da época conseguiram igualar.









