Toda cena tem aquela banda que sobrevive a tudo: mudanças de formação, modas, plataformas de streaming, crises. Na Argentina, essa banda se chama Lörihen. O nome pode até ser estranho. É uma escolha deliberada, uma pegada que conecta o som pesado deles ao universo de Tolkien. Lothlórien, o reino élfico da Floresta Dourada, vira Lörihen. Menos floresta, mais distorção.
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Tudo começou em 1996, em Buenos Aires, com um guitarrista chamado Emiliano Obregón. Ele tinha uma ideia clara: unir a grandiosidade do power metal com a raça do heavy metal tradicional, e ainda plantar ali uma veia melódica que fosse além do óbvio. O tempo mostrou que funcionou. Trinta anos depois… Sim, eles conseguiram sobreviver todo esses anos. A Lörihen é um dos nomes mais respeitados do metal sul-americano, não por acaso, mas por insistência.
Se você até então não conhecia eles, não tem problema, a cena argentina sempre foi gigante, mas nem sempre gira em escala continental. Enquanto isso, a Lörihen acumulava mais de 200 shows, passava por 70 cidades só na Argentina, e dividia palco com monstros como Judas Priest, Whitesnake, Stratovarius e Angra. Teve até participação em edições do Monsters of Rock.
O som deles é difícil de rotular sem soar repetitivo. Nos primeiros discos, como Utopía (2000) e Antes de Tiempo (2001), o power metal aparecia mais escancarado, com teclados sinfônicos e vozes agudas. Com o tempo, foram se encaixando em um hard rock pesado, sem perder a densidade. Bajo la Cruz (2007) é o ponto de virada: mais sujo, mais direto. Já Desconexión (2018) e o mais recente La Magia del Caos (2023) mostram uma banda que amadureceu e aprendeu a dosar melodia e agressividade sem cair em clichê.
Para uma banda independente, que nunca dependeu de grandes selos internacionais, ultrapassar 700 mil plays no Spotify com a música Vida Eterna, é um feito gigantesco, resultado de um trabalho feito de forma cuidadosa. O que levou a banda a realizar turnês pela Espanha, México, Colômbia, Peru, Equador, Chile e Costa Rica.
A formação sempre foi um caleidoscópio. Emiliano Obregón é o único membro fixo desde o início, o coração da coisa. O vocal hoje está com Lucas Gerardo, que já participou da banda em outra formação. Na bateria, nomes como Leonardo Dobao, Hernán Ríos e Rodrigo Fiori se revezaram. O baixo ficou com Christian Abarca nos anos recentes. E nos teclados, Johann Maximus trouxe a camada extra que o metal melódico exige.
Participações especiais? Sim, teve várias e a lista chama bastante atenção, por ter nomes como: Tarja Turunen (ex-Nightwish), Adrián Barilari (Rata Blanca), Claudio Marciello (Almafuerte), Lula Bertoldi (Eruca Sativa).
Mas o mais legal de acompanhar a Lörihen hoje é perceber que eles não são uma banda “do passado”. Estão em turnê ativa com La Magia del Caos. Mais de 40 shows na Argentina, uma passagem completa pela Espanha em 2025, nove no México, e uma mini-turnê pela América Central. E para celebrar os 30 anos em 2026, a banda prometeu um álbum de grandes sucessos com convidados especiais. Além disso, vão dividir o palco com os uruguaios do Reytoro na turnê “Metal del Plata”, agora em junho de 2026, novamente na Espanha.
Se você quiser sentir o peso deles ao vivo, os lugares clássicos estão todos no currículo: Obras Sanitarias, Luna Park, Movistar Arena, Teatro Flores. Se preferir o streaming, comece por Bajo la Cruz ou El Viaje. E se quiser entender de onde vem a alma da banda, leia Tolkien.









